Sons XXVII - Vangelis - El Greco + Paris, May 1968

Julho 1, 2008 at 8:00 am (Sons)

Chegaram às minhas mãos esta semana duas “novidades” de Vangelis apenas editadas no mercado grego. A primeira delas é a banda sonora do filme El Greco ( que ainda não passou nos cinemas portugueses, nem me parece que vá passar ) e que é completamente constituída por música nova de Vangelis. Para os que acompanham a sua discografia sabem que dois outros albuns já foram lançados por ele em homenagem ao pintor El Greco: o primeiro, Foros Timis Ston Greco, edição limitada e numerada e uma versão extendida desse album, também chamada El Greco.

Esta banda sonora não é tão “explosiva” como a banda sonora de Alexander nem tão rebuscada como a de Blade Runner mas não deixa de ser bastante interessante com o já típico tema principal com coro e uma versão desse tema tocada em piano para fechar o album que é bastante suave e povoado de inúmeros ritmos e instrumentos gregos. Fico curioso por ver como terá ficado a sua utilização no filme. Em algumas das sonoridades chega a lembrar um pouco o album 1492 ou o antecessor album também chamado El Greco.

A outra “novidade” é o lançamento, por um jornal grego, Ta Nea, de um CD que foi oferecido com uma das suas edições, entitulado Paris, May 1968 e que é, nada mais, nada menos, o album Fait Que Ton Rêve Soit Plus Long Que La Nuit que referi há alguns dias por ocasião das comemorações do Maio de ‘68. Esta é, tanto quanto sei, a primeira edição deste album em CD. Assim já posso ouvir mais vezes sem acabar com o meu já bem gasto viníl :).

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Filmes X - The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford

Junho 30, 2008 at 4:00 am (Filmes)

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Já tinha referido este filme há algum tempo quando falei do novo album de Nick Cave e da autoria de duas bandas sonoras, em conjunto com Warren Ellis, para os filmes The Proposition e The Assassination of Jesse James.
Para os amantes do estilo western há que ter em atenção que este filme, apesar de passado no tempo adequado e em torno de personagens nesse espírito, não é seguramente um filme de acção de índios e cowboys.
The Assassination of Jesse James (o resto do título já vocês sabem!) é um drama psicológico que gira em torno da relação entre Jesse James, o conhecido fora da lei, e o seu primo Robert Ford que será responsável pelo seu assassinato. É possível verificar como um sentimento de admiração inicial se começa a transformar em ódio e como a sede de protagonismo leva Robert Ford a cometer o assassinato (sem grandes heroísmos como o título indica).
Este não é, sem dúvida, um filme consensual. A primeira pessoa a quem falei dele achou-o uma seca tão grande que duvído vá aceitar mais algum conselho meu sobre filmes :). Trata-se de um filme que é preciso digerir com calma, observar os detalhes e não estar com pressa de ver tiroteio.
A banda sonora é uma maravilha e o ponto onde penso que este filme falhou um pouco prende-se com a fotografia. Na realidade, parece-me que o tipo de filme se prestaria a ter uma maior aposta em planos de pormenor das expressões das personagens, por exemplo, para realçar o seu drama interior e os seus confrontos psicológicos. Enfim, talvez seja apenas o meu saudosismo pela mestria de Sergio Leone a vir ao de cima.
Resumindo, este é um filme para quem os vê com tempo e não algo para entreter enquanto se come o balde de pipocas e se bebe 0.75L de refrigerante.

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Notas Breves IX

Junho 29, 2008 at 9:00 pm (Notas Breves)

Esta menina que eu sei
É como a rosa dos ventos:
Ora grita aqui-del-Rei,
Se alguém a vem namorar,
Ora maldiz os conventos
Onde o pai a quer guardar.
É um riso agradecido
E um pranto de se acabar.
Parece um fruto maduro,
Do outro lado do muro,
Com medo de ser comido
E medo de ali ficar.

Miguel Torga
Diário IV
Setembro, 1946

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Morreu Esbjorn Svensson

Junho 20, 2008 at 4:32 pm (Quotidiano, Sons)

Não percebo porque é que as bandas e os músicos de que eu gosto ou terminam ou morrem cedo. Esbjorn Svensson, produtor, músico e compositor, lider do conhecido e aclamado grupo de jazz moderno Esbjorn Svensson Trio faleceu no passado dia 14 de Junho num acidente de mergulho.

Músico de uma qualidade excepcional, tomei conhecimento do seu trabalho quando participou no album She Haunts my Dreams dos Spain e tenho acompanhado o seu trabalho desde então. Se não conheciam este grupo e se gostam de jazz, vale mesmo a pena explora-lo. A fonte de tanta genialidade secou…


Esbjorn Svensson é o pianista.

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Sons XXVI - Cat Power - The Greatest

Junho 20, 2008 at 1:56 pm (Sons)

Once I wanted to be the greatest
No wind or waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

Melt me down
Into big black armour
Leave no trace of grace
Just in your honour
Lower me down
To culprit south
Make ‘em wash a space in town
For the lead
And the dregs of my bed
I’ve been sleepin’
Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling

Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the lead
And the dregs of my bed
I’ve been sleepin’
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
No wind or waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

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As Viagens dos Gigantes dos Céus

Junho 11, 2008 at 11:30 pm (Astronomia, Quotidiano)

Saturno começa já a despedir-se de nós ao princípio da noite. Vamos deixar de poder contemplar os seus anéis logo agora que o tempo está a melhorar.

Mas durante a madrugada é Júpiter que se levanta de oriente. Um gigante que parte para longe e outro que vem para tomar o seu lugar enquanto se ocupam nessas viagens intermináveis pelo mínusculo recanto que é o nosso sistema solar.

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A Aventura do Europeu de Futebol

Maio 31, 2008 at 11:33 pm (Quotidiano)

E o Europeu de futebol está quase a começar. Para quem estiver com ideias… eu juro que não tenho a culpa!

A nossa selecção vai participar e tem estado em estágio em Viseu. O importante é que os canais de televisão têm mantido toda a gente informada sobre esse importante acontecimento com inúmeras reportagens e ligações em directo. É bom saber que nos tempos que correm não fico com todas aquelas dúvidas existênciais que as pessoas terão tido, por exemplo, por alturas do mundial de ‘66. Coisas como: o que é que o Nuno Gomes comeu ao pequeno-almoço, qual o dente que o Miguel foi arrancar, se os jogadores correm depressa ou devagar, a que horas chegam ao treino, quantas pessoas estão a ver o treino, o que o Simão Sabrosa leva na malinha para os treinos, se o hotel do estágio é o mesmo onde esteve o Sr. Amilcar que 8 anos depois ganhou o torneio internacional de sueca do Burquina Faso. Sinto-me portanto saciado em todas estas questões e pronto para apoiar a selecção. Para isso tenho de estar equipado a rigor. Posso, por exemplo, comprar o kit selecção nos correios que já vem com boné, cachecol e camisola. É lógico que se o Petit e o resto da malta passarem por mim ficam desiludidos se eu não estiver todo bandeira nacional e perdem motivação e depois não dão o litro. Até as velhinhas estão a aderir em massa a este preceito procurando desenfreadamente lenços para atar à cabeça. Eu vi, eu vi!

E se comprar o DVD Força Campeões então é que é! Contribuo para essa força monstruosa que é o 12º jogador fazendo como o Tony Carreira, o José Carlos Malato e tantos outros. Ah, como é doce delirar loucamente ao som desse hino da força lusa que é a Casa Portuguesa cantada pelo Roberto Leal com o Scolari a fazer a parte do jambé!

Será que o 12º jogador também recebe prémios de jogo?

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Sons XXV - Charlotte Gainsbourg - 5:55

Maio 25, 2008 at 4:19 pm (Sons)

A actriz Charlotte Gainsbourg é conhecida de muitos pelos seus papéis em séries/filmes de qualidade como Os Miseráveis ou a Ciência dos Sonhos. O que eu desconhecia era que ela também é cantora e lançou o ano passado um album chamado 5:55. Bem, a primeira impressão que tive foi: olha, cá está mais uma Carla Bruni. Uma míuda gira que fez um album com umas cantigas serenas. Bem, os albuns de Carla Bruni têm sido bons, em especial o primeiro mas este album de Charlotte Gainsbourg vai mais além. É lindíssimo! Com um tom de voz suave e sedutor e letras interessantes é um deleite ouvir as suas músicas. Mas ainda há mais! Alguns de vós vão reconhecer nas músicas algo muito ao estilo de um certa banda também francesa. É verdade! Os Air participam neste album em todas as músicas e não menosprezando a qualidade de Charlotte quase se poderia dizer que é um album dos Air com voz de Charlotte Gainsbourg.

Dos temas com video disponível destaca-se este The Songs That We Sing que é realmente muito bom. E o video, na sua simplicidade, é sublime.

I saw somebody who
reminded me of you
before you got afraid
i wish that you could’ve stayed that way

i saw a little girl
i stopped and smiled at her
she screamed and ran away
it happens to me more and more these days
chorus
and these songs that you sing
do they mean anything
to the people you’re singing them to
people like you

i saw a photograph
a woman in a bath
of hundred dollar bills
if the cold doesn’t kill her, money will

i read a magazine
that said by seventeen
your life was at an end
i’m dead and i’m perfectly content
chorus
and these songs that i sing
do they mean anything
to the people i’m singing them to
people like you
chorus
and these songs that we sing
do they mean anything
to the people we’re singing them to
tonight they do

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Leituras XXX - JRR Tolkien - Os Filhos de Húrin

Maio 24, 2008 at 11:20 am (Leituras)

Capa de Os Filhos de Húrin

Já há algum tempo que não lia nada de Tolkien. Agora que a febre em torno dos filmes já passou e que se vê menos gente armada em super fã de Tolkien volta a saber bem falar dele. Para quem conhece, Tolkien tem uma obra muito vasta e os escritos que deixou por publicar são muito mais do que aquilo que publicou em vida. O seu filho, Christopher Tolkien, tem explorado todo esse espólio e graças as si várias edições desse material têm visto a luz do dia. Foi o que aconteceu com este Os Filhos de Húrin.

A história de Túrin Turambar e Níniel Nienor já tinha aparecido no Silmarillion mas a versão agora publicada é bastante mais extensa e promenorizada e, segundo Christopher Tolkien, apenas baseada nos escritos deixados por Tolkien com um mínimo de trabalho editorial de uniformização. De facto, ao que parece, era expressa intenção de Tolkien dar um novo fôlego a essa história considerando-a muito importante no leque de relatos que rodeiam as suas obras mais conhecidas.

Húrin é capturado por Morgoth (precursor de Sauron) e a sua familia é amaldiçoada. Este livro é a história trágica dos seus filhos e da sua luta contra a sombra que paira sobre eles. É uma história de batalhas, de amores, de desentendimentos e de elfos, anões e dragões.

Ler este livro foi extremamente interessante. Fui de novo levado para esse universo tão especial que é a Terra Média e senti-me de novo apaixonado por esse mundo tão completo que Tolkien criou. A história em si é muito bonita e vale bem a pena lê-la para além da versão do Silmarillion. Enfim, o fim da história não muda, mas conhece-se uma mão cheia de novos detalhes.

P.S.: Peço desculpa aos que pelo título deste post pensavam que iam encontrar outra coisa :).

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Sons (de outros tempos…)

Maio 8, 2008 at 10:38 pm (Quotidiano, Sons)

Comemoram-se os 40 anos do Maio de ‘68. Os estudantes revoltaram-se contra o governo e exigiram mudança.

Eu não sou desse tempo, nem mesmo do 25 de Abril de ‘74 mas não posso deixar de imaginar quão intensamente as pessoas terão vivido e lutado nesses momentos.

O Maio de ‘68 lembra-me sempre um album de Vangelis editado em 1972 e que evoca a memória dessas lutas, das palavras e dos sons que a acompanharam. Impossibilitado até ao momento de possuir uma primeira edição desse album (cuja edição grega é a mais apetecível), extremamente raras (caras) nos dias que correm, tenho na minha colecção uma reedição de 1978 (apresentada na foto) que nas últimas semanas voltou ao gira-discos.

Este curto album de cerca de 30 minutos, intitulado Fais Que Ton Rêve Soit Plus Long Que La Nuit (Faz com que o teu sonho seja mais longo que a noite) começa por, no lado A, invocar as lutas nas ruas e os escritos encontrados nas paredes (ao estilo daqueles que têm sido citados, salvo erro, na RTP1) terminando, no lado B, com um grito de liberdade e vitória: “Le rêve est réalité, baisez sans carottes” (o sonho tornou-se realidade, beijai com sinceridade). Por todo o album se podem ouvir sons das ruas e discursos de pessoas sempre acompanhados por Vangelis e ínumeros outros colaboradores.

Não sei porquê, há algo nesses longínquos anos que não vivi que não deixa de me atrair. Não estou a falar das lutas e da revolução mas de algo na maneira de viver e de fazer as coisas dando-lhes talvez um outro valor.

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