Publicado por: Samuel | Janeiro 9, 2010

Leituras XLIII – Ian McEwan – Saturday


Madrugada de Sábado. Henry está acordado a olhar a rua da janela do seu quarto. A sua esposa dorme logo ali ao lado. O silêncio da noite deixa-nos ouvir o seus pensamentos. É um neurocirurgião de sucesso, tem uma mulher que adora, filhos brilhantes mas durante o dia de Sábado que agora começa muito se vai passar que ameaçará este equilíbrio.

Tendo apenas lido dois outros livros de Ian McEwan, Amsterdam e Atonement, este é, claramente, o que mais gostei e que mais me envolveu do princípio ao fim. Há já muito tempo que não lia um livro com um começo que me cativasse tanto como este Saturday.

Há quem diga que o contéudo deste livro está bem escrito mas que espremendo tudo muito bem acabamos por não ficar com nada de verdadeiramente consistente. Na minha opinião essa afirmação é um pouco injusta. É necessário, parece-me, deixarmo-nos envolver pela narrativa e passarmos a habitar em Henry, de onde podemos ver a história e o próprio personagem a crescer. Mas isto, sou só eu a falar. Se calhar não é nada disto. Mas o prazer de ler este livro já ninguém mo tira.

Publicado por: Samuel | Dezembro 26, 2009

Feliz Natal

Num gesto que talvez seja pioneiro a nível mundial quero desejar a todos os 3 leitores e leitoras deste espaço (2 se não me incluir a mim próprio) um Feliz Natal de 2010, cheio de paz e alegria e passado junto daqueles que mais estimam.

Publicado por: Samuel | Dezembro 26, 2009

Sintonia na Noite Fria

Algumas das noites frias que temos tido têm proporcionado bons céus para observação. Ir lá para fora, montar o telescópio e olhar para o passado dos astros é algo que, na frieza da noite, se sente mais puro do que noutras alturas.

Para que a observação se possa fazer é necessário deixar o telescópio atingir a temperatura ambiente, a sua sintonia com o Universo.

Também o observador precisa de encontrar uma sintonia. Com o brilho ténue da noite, com a brisa fria que nos gela os pés e as mãos e com o silêncio das vozes que vêm lá do alto, ecos de um passado mais ou menos distante. Uma luz de passagem que nos toca e continua sem parar rumo, talvez, a outros bastonetes para lá deste observatório.

De dentro do blusão abotoado até ao pescoço e do gorro puxado abaixo das orelhas notamos os sentidos acordarem a cada inspiração de ar frio e a cada trago de silêncio. Sabe-se finalmente que o Universo está ali. Será que ele sabe onde nós estamos?

Publicado por: Samuel | Dezembro 19, 2009

Filmes XIII – Chocolate

Chocolate, um filme de 2001, baseado no conhecido e homónino romance de Joanne Harris, foi para mim uma imensa surpresa. O filme ultrapassa em qualidade grande parte dos filmes que têm saído ultimamente quase parecendo que  se perdeu, de repente, a noção sobre o que é um bom filme. Se é verdade que para o fazer não seria preciso muito o facto é que mesmo depois da ultrapassagem continua a distanciar-se a bom ritmo. Este Chocolate é de uma delicadeza estonteante e uma doce amálgama de subtilezas de argumento, de personagens e de cenário que nos atraem para ele desde o primeiro momento. A juntar a tudo isto, a fabulosa interpretação de Juliette Binoche ao lado de Johnny Depp.

Vianne Rocher chega à aldeia de Lansquenet-sous-Tannes com a sua filha e instala-se numa antiga padaria onde abrem uma loja de chocolate. A partir daqui travam uma luta contra o espírito conservador da aldeia, personificado no conde Reynaud, que tenta, a todo o custo, manda-las embora. Isto pode parecer lamechas dito desta maneira mas é com a doçura do chocolate que vendem que vão curando as amarguras interiores dos habitantes e, no final, as próprias amarguras de Vianne.

Enfim, está um frio imenso lá fora e este é um filme adequado para um tempo como este. Façam uma caneca de chocolate quente, enrosquem-se no sofá e disfrutem da beleza deste filme.

Publicado por: Samuel | Dezembro 19, 2009

Sons XXXI – Air – Love 2

Os Air lançaram o seu novo album intitulado Love 2.
Sinceramente acho que não é preciso dizer muito… basta ouvir. Quando o ouvi pela primeira vez não o achei nada de especial mas com o tempo foi-me seduzindo. É um album sereno e sem grandes alaridos (talvez não ficasse mal um ou outro para terminar algumas músicas em apóteose) mas que não se torna monótono. Aqui fica um dos temas do album, Heaven’s Light.

Publicado por: Samuel | Dezembro 19, 2009

Leituras XLII – Victor Hugo – O Corcunda de Notre-Dame

A primeira grande pergunta que se coloca é: “Porque há-de alguém ler este livro?”. A resposta é: “Porque quis!”.

O Corcunda de Notre-Dame, escrito por Victor Hugo na primeira metade do século XIX, conta-nos a história de Esmeralda, uma menina cigana e de Quasimodo, um corcunda que habita a catedral de Notre-Dame onde foi acolhido por Claude Frollo, o arcedíago.

À semelhança de outros livros de Victor Hugo, como Os Miseráveis, para além da história principal existem também diversas histórias laterais que vão contribuindo para a construção do cenário e das personagens que nele desfilam. No entanto, em muitos momentos estas histórias tendem a ser entediantes tornando o livro muito longo e o desenvolvimento da história principal muito lento, com uma aceleração vertiginosa só perto do fim.

Se é verdade que é um conto bonito, com uma caracterização psicológica notável das personagens, e que se aprende bastante sobre a história da altura e sobre arquitectura gótica, também não deixa de ser de difícil leitura pelo que não é livro que aconselhe a ninguém de ânimo leve. A quem se propuser lê-lo, prepare-se… tem um árduo caminho a percorrer para obter uma recompensa que, diga-se em abono da verdade, quase ninguém quer hoje em dia.

Publicado por: Samuel | Dezembro 19, 2009

Descobertas II

Acordamos de manhã. Está frio lá fora. Aliás, está frio em todo lado fora da doçura suave dos lençóis em que o calor do nosso corpo foi sendo guardado durante a noite. Levantamo-nos a custo em direcção à casa-de-banho, abrimos a torneira e passados alguns segundos dela jorra água quente. É algo que nunca deixa de me espantar: o caminho que a humanidade percorreu e que nos trouxe até à beleza desta particularidade simples mas que não deixa de ser, para mim, uma descoberta fascinante a cada manhã.

Publicado por: Samuel | Dezembro 19, 2009

Big Buck Bunny

Ora aí está uma animação que vale a pena ver!
Estamos quase no Natal e um coelho branco e fofinho enquadra-se bem no espírito.

Do ponto de vista técnico também está muito bem feita.

Publicado por: Samuel | Novembro 2, 2009

Descobertas

airplane

Os nossos olhos nem sempre nos dizem a verdade. Somos nós que, se formos capazes, extraimos a verdade daquilo que eles nos dão.

Se num dia de Verão olharmos para um avião que voe bem alto, com a sua barriga brilhando ao sol, não vemos mais do que um objecto do tamanho de uma formiga que se move através dos céus. O belo em tudo isso é sermos capazes de perceber que aquele objecto que vemos tão pequeno é afinal gigantesco. Dentro dele seguem pessoas como nós que no mesmo momento em que nós olhamos o avião cá de baixo conversam, andam, dormem e pensam em mil e uma coisas. Em tão pequeno ponto no céu existe vida, existe um pequeno mundo. E isso, para mim, por mais ridículo que possa parecer, foi mais importante do que descobrir vida em Marte.

Publicado por: Samuel | Novembro 1, 2009

O Tempo que as Coisas Demoram I

A dupla Sergio Leone / Ennio Morricone resultou em filmes absolutamente fabulosos. Na vertente dos westerns (e particularmente os spaghetti westerns) é impossível passar ao lado da trilogia dos dolares composta pelos filmes Por Um Punhado de Dolares, Por Alguns Dolares Mais e O Bom, O Mau e o Vilão nos quais o “Homem sem nome” (interpretado por Clint Eastwood) é a personagem principal.

O que particularmente me atrai na obra cinematográfica de Sergio Leone é essa fenomenal capacidade de saber gerir o tempo de cena, a sua respiração natural e os planos apertados que faz do rosto e olhos das personagens. As bandas sonoras de Ennio Morricone são o eco da luta interior das personagens, da tensão da cena e da grandiosidade dos momentos. É uma forma de fazer e musicar cinema que já não se vê.

Era Uma Vez no Oeste é mais um desses filmes brilhantes. A cena que podem ver abaixo é o duelo final desse filme com a participação do saudoso Charles Bronson. É uma das inúmeras cenas dos filmes de Leone que nunca me canso de rever.

Outro grande exemplo pode ser a cena do duelo perto do final do filme O Bom, O Mau e o Vilão com Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef. Repare-se na respiração de toda a cena, nos momentos de silêncio e nos planos usados.

É importante dar às coisas o tempo que elas precisam para acontecer e é preciso que os espectadores saibam apreciar a beleza do tempo que elas demoram a materializar-se.

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