Notas Breves XII

Maio 26, 2009 at 9:59 pm (Notas Breves)

E porque Al Berto me tem surgido nas ideias “dia sim, dia não” aqui fica uma nota breve…

a noite chega-me
Al Berto

a noite chega-me irrequieta de cíclicos ventos, cintilam peixes pelas paredes do quarto
durmo sobre as águas e tenho medo
encolho-me no leito estreito, no fundo dele, onde o linho já não fulgura
queda a queda, voo

não consigo dormir com esta ferida
as máquinas sussuram, trepam pelas paredes, escancaram portas, invadem a casa, ocupam os sonhos
sirenes, alarmes lancinantes, cremalheiras da noite ressoando no limite do corpo

levanto-me e saio para a rua
caminho na chuva adocicada da manhã, as pedras acendem-se por dentro, reconhecem-me
uma voz líquida arrasta-se no interior dos meus passos, ecoa pelos recantos ainda vivos do teu corpo

em ti acostam os barcos e a sombra dos grandes navios do mundo
vive o peixe, agitam-se algas e medusas de mil desejos
em ti descansam os pássaros chegados doutras rotas
secam as redes, põe-se o sol
em ti se abandona a ressaca das ondas e o sal dos meus olhos
as árvores inclinadas, os frutos e as dunas
em ti pernoita a seiva cansada de palavras, o suco das ervas e o açúcar transparente das camarinhas
em ti cresce o precioso silêncio, as ostras doentes e as pérolas dos mares sem rumo
em ti se perdem os ventos, a solidão do mar e este demorado lamento

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Mais UA, Melhor UA

Maio 26, 2009 at 9:46 pm (Quotidiano)

E é assim… Juntaram-se 6 pessoas e nasceu um movimento. Oxalá as ideias que defendemos encontrem eco na comunidade estudantil.

http://maisuamelhorua.wordpress.com

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Testemunho

Março 14, 2009 at 12:25 am (Leituras)

A pedido da minha psicoterapeuta abro aqui o meu coração perante o mundo e confesso:

“Olá, o meu nome é João e sou apanhadinho por livros”

:D

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Leituras XXXVIII – Haruki Murakami – South of the Border, West of the Sun

Março 10, 2009 at 10:25 pm (Leituras)

southoftheborder

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Leituras XXXVII – Saramago – Intermitências da Morte

Março 1, 2009 at 7:08 pm (Leituras)

saramago_intermitencias

Passam-se os dias da humanidade com a eterna afirmação de que nenhum de nós sabe o caminho mas todos temos a certeza de que haverá um fim. Muitas das nossas ideias e muitas das mecânica sociais em que estamos integrados se formatam tendo por base a inevitabilidade da morte. Mas e se, de um dia para o outro, se deixasse de morrer. Não um parar no tempo mas um continuar a envelhecer sem, no entanto, perder a vida. Essa é uma das reflexões que José Saramago nos propõe neste livro As Intermitências da Morte.

A maneira como a acção é descrita, o humor com que se descrevem alguns dos detalhes e se coligem pensamentos sobre as diferentes situações tornam este livro muito interessante de ler. Não é um livro muito denso, cheio de filosofias incompreensíveis mas uma visão humorada e refinada sobre um aspecto que, decerto, nunca nos tinha ocorrido.

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Leituras XXXVI – George R.R. Martin – A Game of Thrones

Março 1, 2009 at 7:06 pm (Leituras)

thrones13

O livro A Game of Thrones, editado em Portugal pela Saída de Emergência com o título A Guerra dos Tronos, é o primeiro de sete volumes (dos quais ainda só foram escritos quatro) que compôem a heptalogia A Song of Ice and Fire (As Crónicas de Gelo e Fogo) do escritor George R.R. Martin.

Este primeiro volume apresenta-nos um mundo diferente do nosso em que sucessivas conspirações levam a uma luta pelo poder. Poderia aqui fazer um resumo do que se passa ao longo do livro, mas parece-me que isso seria estragar um dos seus pontos positivos. De facto, George Martin tem o dom de conseguir desenvolver a história de forma completamente imprevisível. Bastará apenas dizer que, para ele, não existem personagens intocáveis. Toda a história se desenrola a um ritmo elevado. Os capítulos são curtos e cada um deles apresenta a visão de uma das personagens sobre um momento particular da história. Assim, é possível ir seguindo a acção de forma agradável com a motivação adicional de querer chegar ao próximo capítulo sobre essa personagem para saber como continua a acção que ela está a viver.

As primeiras 50 páginas podem significar para alguns leitores uma confusão alucinante. A quantidade de personagens que surgem nessas páginas e a quantidade de genealogia que é fornecida é de tal ordem que torna a leitura um martírio a quem queira perceber logo bem de quem se fala e quem são os actores.  No entanto, basta que se leiam essas páginas de forma atenta mas descontraída. Os capítulos seguintes ajudam a que, progressivamente, entremos na história e nos familiarizemos com cada uma das personagens.

Curiosamente esta heptalogia tem sido muito comparada com O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. No entanto, apesar se de tratarem de duas obras de fantasia com laivos de épico bélico parece-me que a comparação é exagerada. É certo que ambas se passam num mundo criado pelos respectivos autores e que somos confrontados com um conjunto de personagens e costumes diferentes dos nossos. Mas a riqueza e origiinalidade do mundo criado por J. R. R. Tolkien é muito maior. Note-se a riqueza cultural criadas para os diferentes povos da Terra Média de Tolkien ou a mitologia. Este facto não tira mérito á obra de George Martin mas afasta a possibilidade de comparação. O mundo de George Martin é, tanto quanto consigo avaliar pela leitura deste primeiro volume, menos trabalhado.

É, em resumo, um livro de agradável leitura para os  fãs de obras de fantasia (e eventualmente para  fãs de épicos da Idade Média, já que os elementos de fantasia neste volume são muito poucos) e já me fez dar por bem empregues os 5€ que gastei na sua compra. Oxalá os 10€ que já gastei nos dois volumes seguintes tenham sido igualmente bem gastos.

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Leituras XXXV – Nick Hornby – A Long Way Down

Março 1, 2009 at 7:04 pm (Leituras)

A Long Way Down by Nick Hornby

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Sons XXXI – Josh Haden – Spiritual

Março 1, 2009 at 6:57 pm (Sons)

A mesma música, interpretações diferentes! A actuação ao vivo de Josh Haden, no penúltimo video desta sequência não é propriamente famosa… mas o rapaz tem dias :) .

Soulsavers/Mark Lanegan

Johnny Cash

Josh Haden/Haden Family

Charlie Haden/Pat Metheny

Spain/Josh Haden

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A Aventura das Mensagens de Natal (e Ano Novo)

Janeiro 11, 2009 at 4:52 pm (Quotidiano)

A quadra das Festas já lá vai, fechada, oficialmente, no passado dia 6 de Janeiro, dia de Réis. Diz o ditado que o Natal é quando um homem quiser, mas todos nós sabemos que o Natal é a 25 de Dezembro e depois mais ninguém quer saber de “oh, oh, oh” e espírito natalício e união entre os povos da terra. Experimentem cantarolar cãnticos de Natal em pleno Verão e vão ver o que acontece!

Mesmo assim, é bom viver o Natal, quando é altura dele, da melhor maneira possível. Não vou dizer como cada um deve celebrar esse espírito pois varia de pessoa para pessoa, varia com as crenças, com o ambiente em que se está e por aí fora. Mas, se há algo que parece ser mais ou menos consensual, é que, no Natal, nos lembramos das pessoas de que gostamos e em geral materializamos esse sentimento com um gesto que as faça percebe-lo.

Com a chegada dos telemóveis tornou-se possível, em vez de enviar um postal, enviar uma mensagem àquela pessoa a quem queremos desejar umas Boas Festas. Ok! Tudo bem! Deixámos de lado os postais que eram objectos que tinham um cunho mais pessoal e mandamos uma série de caracteres a voar pelo éter, mas as palavras podem ser as mesmas e o carinho, ainda que mais esbatido, pode continuar a insinuar-se no meio delas. Mas foi com as mensagens de telemóvel que o encanto desabou.

Para começar a despachar as coisas mais depressa as pessoas começaram a escrever uma mensagem genérica que depois enviam para as pessoas mais próximas. Depois, com a diminuição do preço das mensagens e com a evolução dos telemóveis começaram a enviar essa mensagem de Natal para todos os contactos da lista, até mesmo para aquela rapariga em quem costumam cortar na casaca nas conversas de café. A pobre coitada, na sua inocência, ainda vai responder cheia de alegria e sinceridade à mensagem que recebeu! Tótó!

E também recebemos muitas mensagens de Natal! A verdade é que nos sentimos bem ao ver que escolhemos os amigos de uma maneira tão coerente e eles são, afinal, tão parecidos, que se lembram de escrever as mesmas coisas da mesma maneira. Até mesmo aquela alusão mais bregeira ao Pai Natal. É tão fofinho, não é? Mas o momento mais lindo é quando recebemos a resposta à mensagem de Natal que enviámos à Joana! Sentimos um calor muito bom cá dentro enquanto lemos os agradecimentos, os votos de um Natal cheio de alegria, de uma Ano Novo cheio de coisas boas, assinado Paula Maria. Hein? Paula Maria?

Ora aí está! O ideal é nem sequer procurar ou escrever uma mensagem de Natal para enviar aos 400 contactos. Espera-se por receber as primeiras mensagens de Natal e depois escolhe-se aquela que for mais gira e que nos tiver tocado mais (que nem sequer lemos toda para perceber que vinha assinada pela outra pessoa) e manda-se.

Podem chamar-me o que quiserem mas a verdade é que envio todos os anos não mais que uma dezena de mensagens de Natal através do telemóvel. Escrevo cada uma delas individualmente (embora, como é lógico, algum do contéudo possa coincidir entre algumas das mensagens). Parece-me que as pessoas merecem, pelo menos, essa atenção! Merecem um gesto consciente e individualizado!

Só respondo (e descobri no outro dia que não sou o único a faze-lo ;) ) àquelas que eu vejo que claramente me são endereçadas e não o resultado de um envio em massa. Eventualmente, respondo a uma dessas quando era já minha intenção enviar uma mensagem a essa pessoa, mas ligeiramente contrariado :) .

Os laços que nos deviam unir àquela meia-dúzia de pessoas importantes na vida de cada um estão a ser banalizados. As pessoas estão a deixar de colocar parte de si nos seus gestos. Tudo é automatizado, despersonalizado, copiado, formatado como manda a lei dos padrões sociais. Bolas, se até a mensagem têm de copiar para que é que a estão a enviar? E não é só nas mensagens de Natal, é um pouco em tudo na vida! As pessoas fazem sua bandeira o mandar centenas de mensagens de Natal e comprar dezenas de presentes para oferecer (em prendas que não são mais que “toma lá dá cá social”). E isso é que é viver o espírito do Natal presente!

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Ai Abelhinha, Abelhinha…

Janeiro 11, 2009 at 4:22 pm (Sons)

Aqui fica um vídeo de uma actuação ao vivo dos Grinderman (de que já falei ao de leve há uns tempos). Se por um lado tem alguns momentos de completo caos sonoro, por outro tem uma energia fabulosa (Nick Cave continua no seu melhor!) e uma letra interessante.

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