Fernando Pessoa é, talvez, um dos exemplos mais conhecidos de alguém que tinha em si múltiplas personalidades. Os heterónimos do conhecido poeta português eram não só muitos mas distintos entre si. Alberto Caeiro, Ricardo Reis ou Álvaro de Campos, para citar apenas alguns dos mais conhecidos, eram seres autónomos nas ideias e no estilo poético habitando contudo o mesmo corpo, o mesmo cérebro, o mesmo ser humano. Não faço ideia de se a existência desses heterónimos era algo de disjunto de Fernando Pessoa, i.e., se a vivência de cada um dos heterónimos se fazia sempre sob a vigilância do poeta, consciente da sua existência, ou se Fernando Pessoa “morria” dando vida a um outro eu. Sendo verdade a segunda hipótese surge a questão de saber qual dos heterónimos era o verdadeiro EU. Talvez todos somados! Realmente Fernando Pessoa ultrapassa tudo o que se possa encontrar no mundo. Se existem e existiram vários poetas fantásticos nunca tantos poetas existiram numa só pessoa.
Mas esta particularidade de se possuirem vários EUs disjuntos em que nenhum deles tem consciência da existência dos outros pode ser problemática. O que seria natural acontecer é que todos os EUs que não aquele que se é normalmente tivessem consciência da existência de um EU aglutinador onde vão beber alguma da vida (e suas experiências) a que não têm direito na sua existência, apesar de tudo, limitada. Por outro lado, esse EU primordial (afinal de contas, aquele que figura no BI) deverá não conhecer todos os outros que lhe tomam o lugar de vez em quando.
Este assunto é realmente complexo e tem-me ocupado a cabeça há já alguns dias porque, no princípio da semana, me foi diagnosticada múltipla personalidade. Bem, dizer múltipla é exagerar. Até ao momento, para além da pessoa que está a escrever isto, parece que só existe outro eu: a Rosa.
Mas quem será afinal a Rosa? Como será a sua vida? Fique a saber muito em breve na segunda parte deste post.

