Publicado por: Samuel | Outubro 21, 2007

Opiniões

Publiquei neste espaço, há alguns dias, um excerto de um mail trocado com o meu amigo Teófilo. Uma vez que as críticas que fui recolhendo foram extremamente positivas propus-lhe ir publicando outros pedaços da sua escrita. No seguimento dessa ideia aqui vão mais algumas linhas:

(…)

“Não consigo perceber porque é que cada vez mais é tão importante ter opinião sobre tudo. As pessoas gastam o tempo a procurar palavras para opinar sobre a realidade quando deviam gastar mais tempo a olha-la. Observar (e não me estou a referir ao acto de ver para depois contar ou simplesmente para satisfazer a curiosidade da mente) está a tornar-se uma arte em vias de extinção.

Cada vez mais me sinto na necessidade de me calar, de ficar a ouvir os outros, a beber a sua essência e a beber as realidades que me rodeiam. Tantas vezes se gastam palavras desmedidamente, sem sequer sentir o sabor das ideias que transmitem, que a palavra começa seriamente a perder o valor.

Hoje em dia diz-se tanto disparate sem sentido e há tanta gente a correr atrás deles que mais vale sair de casa e ir ali para a serra ouvir os montes que, sendo de poucas palavras, escolhem como ninguém aquelas que dizem.”

(…)

Teófilo Cardoso


Respostas

  1. O Teófilo tem toda a razão, está-se a perder o hábito de observar, de ouvir os outros, essencialmente de parar para os tentar compreender. O problema é que infelizmente nos dias de hoje “olhar os outros” pode ser algo extremamente enganador, pois as pessoas cada vez mais se protegem atrás de capas, máscaras, sombras que escondem aquilo que realmente são, o que pensam, o que sentem. Há muita gente que engole os seus gritos, muita gente que nunca sequer tentou gritar, muita gente que nem sabe que o grito existe. Quem diz o grito, diz o toque, quem diz o toque diz a lágrima, quem diz a lágrima diz o coração. Para quê olhar os outros se os outros não querem ser olhados?
    Pelo menos, tal como ele diz, as árvores não se devem queixar muito :)
    Quanto às palavras, deixa-me dizer-te “off the record”, baixinho e quase num sussurro: a minha contribuição para os “disparates sem sentido” é muito significativa.


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