Acorda-se de manhã e lá está ela. Se a princípio é áspera e picante, alguns dias de paciência tornam-na fofa e felpuda. Mas, nada é tão simples…
A criação de barba é, hoje em dia, um actividade pouco levada a sério. É certo que algumas das personagens nas novelas da TVI têm barba: ou são personagens com poder (do qual abusam) e/ou responsabilidades numa empresa; ou são meliantes da pior espécie com alguma sofisticação; ou são drogados e meliantes sem sofisticação; ou são mulheres à antiga, trabalhadoras incansáveis dos campos em terras recônditas; ou são uns coitadinhos, abandonados pela família, que depois descobrem ter um irmão gémeo que é rico e ficam malucos. Os dois primeiros casos destinguem-se do resto porque as suas barbas são daquelas cheias de estilo, cortadas como se vê nas revistas, altamente aparadas, e descrevendo impressionantes curvas e contra-curvas na face de quem as enverga. E, verdade seja dita, não é destas que quero falar. Uma vez que não me enquadro no perfil de mulher trabalhadora dos campos, e não me acho com talento de hábil recortador de barbas com estilo, o sábio poder de construção de perfis da TVI não me deixa boas alternativas.
Dantes, no tempo em que até o Professor Marcelo a envergava, usar barba era algo de simples. Quanto muito, a determinada altura, alguém se aproximava de nós e, por entre sorrisos ligeiros, olhares de cumplicidade, e palmadinhas nas costas, nos revelava saber de tudo e nos convidava para pertencer ao Partido Comunista. Mas não se passava daí.
Usar uma barba (sem ser como as que se vêem nas revistas tipo Caras e Flash) tem as suas vantagens e desvantagens. É vital andar sempre bem penteadinho. Se forem a uma bomba de gasolina despenteados e barbudos quase sempre vão encontrar a bomba em que abastecem em pré-pagamento. O ideal, ao pagar, é faze-lo com cartão (atenção que falhar o código pode resultar em olhares temíveis por parte da operadora ) para evitar que as notas usadas no pagamento sejam molestadas por canetas de tinta invisível, luzes ultra-violeta e testes de marca-de-água.
Usar barba num carro com mais de 15 anos e pouco lavado origina que qualquer eventual operação stop demore mais algum tempo para as típicas inspecções de rotina ao triângulo, faróis, selo, número do motor, bagageira, bolsos, porta-luvas, récita dos nomes dos pais, altura, freguesia de nascimento, propósito da viagem, etc..
No entanto, usar barba tem a grata vantagem de tornar as pessoas por quem se passa mais cientes de si próprias, do seu valor, e do que possuem. É bonito e reconfortante, quando desço uma rua, ver as senhoras de idade cruzarem os braços sobre o peito enquanto baixam ligeiramente a cabeça, num gesto de carinho para consigo próprias, vê-las trocar a mala para o outro braço de forma a não esforçarem demasiado a coluna por levarem o peso sempre do mesmo lado, ou vê-las acelerar o passo deixando o ritmo medonho chamado “de ver montras” e que é terrível para as varizes.
E é bonito ver que os arrumadores, quando nos vêem a caminho do nosso carro num parque de estacionamento, desatam a correr e, em vez de nos pedirem uma moeda, fazem questão de nos mandar ir ganhar a vida para outro lado. Um gesto profundo e carinhoso de alguém que na sua infelicidade deseja aos outros sempre uma vida melhor que a sua…


Loooooooooool.
, o que como ainda não te vi de barba se calhar até nem vai ser dificil.
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Eh pá, se me vires na rua vou fingir que não te conheço
Quanto ao convite político, se vestires uma camisola de marca “Burberrys”, “Fred Perry” ou coisas do género, ainda és convidado para o Bloco de Esquerda
Posso-te levar ao Porto um dia destes que me dê jeito? É que lá os arrumadores são muito chatos.
Por: Nuno Guimas em Outubro 22, 2008
às 10:23 pm