
Antes de mais, um agradecimento ao Pedro e ao Nuno por terem chamado a minha atenção para este filme.
Into the Wild, filme realizado por Sean Penn, baseado no livro homónimo de Jon Krakauer, conta a história verídica de Christopher McCandless, um jovem que um dia decidiu partir à aventura e viver no meio do nada, do que a terra lhe desse, fugindo da sociedade e da constante mentira em que toda a gente vive. Independentemente daquilo que se possa achar das atitudes de Christopher (que adopta o nome de Alexander Supertramp), com alguns a classificarem-no de inspirado e outros a chamarem-lhe um completo louco, o filme é extremamente interessante e de uma beleza estonteante. A naturalidade com que Christopher nos é dado a conhecer, a sua alegria, a simplicidade das coisas que o fazem feliz e a riqueza da banda sonora (por um tal de Eddie Vedder
) fazem deste filme uma obra de arte.
Um aspecto que me pareceu muito interessante é o facto de o filme não levar Christopher em ombros até à apoteose tentando deixar uma imagem de heroismo. Na verdade, a parte final do filme mostra claramente o fracassar de muitas das ideias que ele defendia e a sua compreensão daquilo que é a felicidade, mostrando-o mais real.
Mas sobre este filme acho que não vale a pena dizer mais nada. Ele é para ser visto e não propriamente para ser comentado. Com o gelo que está lá fora, arranjem um bom cobertor, e saboreiem o momento.


Já me apeteceu muitas vezes dizer também algo como “I’m going to Alaska!”
– aliás, cada vez apetece mais
.
Uma coisa que acho muito interessante na história de “Alexander Supertramp”, é o facto de ele fazer não só uma viagem por lugares, mas também por diferentes pessoas. É notória na história a simpatia sentida por aquele personagem que ainda tinha capacidade de sonhar e perseguir um sonho, considere-se esse sonho louco ou não. A admiração até, por aquela capacidade de tentar dar um significado a uma vida em que cada vez mais na perseguição de objectivos, muitos deles supérfluos, artificiais, impostos pela sociedade, nos perdemos sem nunca nos conseguirmos de facto encontrar, como se fossemos autómatos sem alma controlados por valores que afinal nunca foram nossos. Durante o filme recordei aquela que para mim é a melhor música dos Beatles (Eleanor Rigby) e a sua frase chave “look at all the lonely people”. Não era propriamente McCandless que precisava do afecto das pessoas com quem conviveu na sua aventura, mas claramente o contrário.
Por: Nuno em Dezembro 2, 2008
às 11:00 am
Olá Nuno!
Acho muito interessante essa tua análise e acho que tocaste num conjunto de pontos extremamente importantes:
1) A “viagem” pelas pessoas, que é também de uma beleza impressionante. É interessante ver que, talvez tirando o homem dos caminhos de ferro que lhe dá uma tareia, é quase impossível não simpatizar com as personagens que ele vai encontrando, mesmo o que vai preso por aldrabar caixas da televisão por cabo
. Todas elas emanam algo de bom e de positivo, apesar de muitas vezes se encontrarem em situações difíceis. E todas elas, como dizes, sentem uma afeição por McAndless e pela pureza e simplicidade dos seus princípios.
2) O facto de não ser ele que precisa de carinho, mas as pessoas com quem ele conviveu. Confesso que me tinha passado completamente ao lado a percepção desse pormenor!
Agora que penso nisso, é verdade! A despedida do velho e a sua tentativa de o manter na sua vida é a derradeira e mais forte confirmação disso. Bem visto!
Um abraço!
Por: Samuel em Dezembro 6, 2008
às 7:57 pm