
Não, não se trata do último livro de José Saramago! Também não é o anterior a esse! E não vou falar da opinião de José Saramago sobre a Bíblia.
Agora que se fizeram os esclarecimentos introdutórios que elucidam o leitor sobre a nuance de que aqui não encontrará nada sobre a mais recente obra de Saramago e a polémica que a rodeia podemos prosseguir para O Ensaio Sobre a Lucidez.
Imagine-se um país em que, num acto eleitoral, os habitantes da respectiva capital votam em branco. É a partir deste acontecimento que o romance se desenvolve dando-nos a conhecer a reacção da classe política que tenta, a todo o custo, assegurar a sua posição e importância na sociedade. Este livro é uma reflexão sobre a democracia e sobre a incapacidade dela (ou talvez dos seus agentes) de lidar com essa atitude diferente mas possível que é a de exercer o direito de voto não se escolhendo ninguém. Lembro-me de em 2004, quando o livro saiu, ter assistido a uma pequena palestra de José Saramago em Aveiro em que ele reforçou que o livro não era um apelo ao voto em branco (sim, na altura também foi um livro polémico) mas sim uma chamada à reflexão sobre uma situação que, apesar de possível, ninguém nunca abordou.
Para quem já tenha lido o Ensaio sobre a Cegueira é de notar que o país onde esse romance se passa é o mesmo onde os habitantes da capital votam em branco e que a mulher, o seu marido médico e o cão das lágrimas voltam a aparecer.
Apesar de não ser o livro de Saramago que mais gostei até ao momento, Ensaio Sobre a Lucidez é um livro bastante agradável de ler, chegando a ser, em muitos momentos, um retrato hilariante (e fiel…) da classe política e dos seus estratagemas.

