A dupla Sergio Leone / Ennio Morricone resultou em filmes absolutamente fabulosos. Na vertente dos westerns (e particularmente os spaghetti westerns) é impossível passar ao lado da trilogia dos dolares composta pelos filmes Por Um Punhado de Dolares, Por Alguns Dolares Mais e O Bom, O Mau e o Vilão nos quais o “Homem sem nome” (interpretado por Clint Eastwood) é a personagem principal.
O que particularmente me atrai na obra cinematográfica de Sergio Leone é essa fenomenal capacidade de saber gerir o tempo de cena, a sua respiração natural e os planos apertados que faz do rosto e olhos das personagens. As bandas sonoras de Ennio Morricone são o eco da luta interior das personagens, da tensão da cena e da grandiosidade dos momentos. É uma forma de fazer e musicar cinema que já não se vê.
Era Uma Vez no Oeste é mais um desses filmes brilhantes. A cena que podem ver abaixo é o duelo final desse filme com a participação do saudoso Charles Bronson. É uma das inúmeras cenas dos filmes de Leone que nunca me canso de rever.
Outro grande exemplo pode ser a cena do duelo perto do final do filme O Bom, O Mau e o Vilão com Clint Eastwood, Eli Wallach e Lee Van Cleef. Repare-se na respiração de toda a cena, nos momentos de silêncio e nos planos usados.
É importante dar às coisas o tempo que elas precisam para acontecer e é preciso que os espectadores saibam apreciar a beleza do tempo que elas demoram a materializar-se.

