Esta areia até não está mal pensada. Não muito fina para não voar com o vento nem muito branca para não incomodar os olhos em dias de imenso sol. É uma areia com origens humildes que subiu à classe média a custo de muito trabalho e ainda leva na personalidade as suas marcadas raízes telúricas. Um pouco de água do mar, duas passadas na areia seca, e fica-se com uns pés imersos numa negrura que, à primeira vista, ameaça ter conspurcado para sempre a nossa inocência pediosa. Mas é neste pequeno gesto que somos importantes para a areia como as abelhas o são para as flores. Também as areias precisam de ser polinizadas e nem sempre o mar tem tempo.